quinta-feira, abril 7

Saudade de quem não foi.

Eita.
Essa saudade é a pior. Aquela de gente que não foi p'ra lugar nenhum!

          Sabe quando sentimos vontade de estar, conversar, rir, ouvir, andar com alguém; É só ligar? Mandar um e-mail? Deixar scrap? Cutucar no facebook? Chamar a tenção no MSN?
          E quando esse alguém está sempre ali, mas distante de você. Nenhum desses métodos funciona.
          Às vezes, a distância que nos separa de alguém nem sempre pode ser medida em quilômetros. Ela é medida pelas palavras não ditas, ou ditas de maneira errada.
          Pode ser pesada. Basta saber o peso de suas palavras, ou das dela caindo sobre você.
          Pode ser comparada: Qual a pior coisa que posso ter feito a ela?

Eu não sei.
Sei que sinto falta de alguém... E ele está tão perto de mim, que nos esbarramos 'de-vez-em-sempre'. Mas aí, cada um murmura um 'com licença' e segue seu caminho.
Essa é, com certeza, a pior saudade.

sexta-feira, fevereiro 18

Relações humanas

"Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo, toda curiosa e atenta. E é só." (Clarisse Linspector)

Há tanta, tanta coisa que sei fazer. Mas ser social não é uma delas.
Houve uma época que eu até achava que era social. Tinha muitas amigas, nunca estava só no almoço. Isso me deixava tão feliz, que ao deitar a cabeça no travesseiro para dormir, relembrava com um sorriso nos lábios, o dia maravilhoso que havia passado com elas.

Hoje, me sinto um bichinho estranho. Não sei bem o que quero.
Algumas horas, gostaria de estar rodeada de amigos, rindo e nos divertindo juntos. Noutras, prefiria que o mundo inteiro sumisse e me deixasse sozinha com meu livro. Para a maioria das pessoas, isso pode ser normal; Todo mundo precisa de um tempo só para si. Para mim, isso é aterrorizante.

Quando me questiono, observo que a maioria das vezes, troquei uma noite com os amigos para assistir a um filme no DVD. Troquei uma noite entre meninas, para ficar no orkut. Um churras para limpar meu quarto e rasgar papéis. Acho que fujo das pessoas e da intimidade consequente da amizade.

Sim. Já me perguntei milhares de vezes o porquê disso. Quando cheguei à conclusão que apenas não gostava de  ser muito próxima das pessoas, descobri que sentia muita falta de uma melhor amiga, para conversar a todo momento. No entanto, não quero acreditar de novo, confiar meus pensamentos a alguém que poderá usá-los contra mim quando minha companhia não mais lhe agradar.

Por isso, criei um muro translúcido chamado Distância Segura. Algo que me protegerá de sofrer algumas decepções. Porque as pessoas nos decepcionam, sempre.

Agora, eu tenho medo de gente.
Embora adore as olhar pela minha janela.

quinta-feira, fevereiro 17

Ausência de confiança, gera desconfiança.

Todo mundo já sentiu dificuldade em falar em público ao menos uma vez na vida. Fato.

Eu tinha certa facilidade. O descaramento era meu aliado.
Desde cedo, eu era escolhida para oradora. Desde pequenos avisos a importantes comunicados.
Aos sete anos de idade eu fui Juramentista da minha turma de colação de grau. No Ensino Fundamental, fui representante de sala por anos consecutivos, participei do Grêmio Estudantil (voz ativa dos alunos, na escola!) e fui oradora da turma na Formatura da 8ª série, com discurso próprio (XD). Até no colegial, fui da Tríade que representava a sala aos professores e vice-versa.

Enfim... Eu sempre fui articulada para discursar em público, os mais variados assuntos. Até agora.

Na faculdade senti, pela primeira vez, dificuldade... Mas não foi sempre assim. No início da minha Graduação, falava tranquilamente para uma turma de 90 alunos. Entretanto, desde o limiar de 2010, tenho enfrentado o famoso medo irracional de falar em público.

Venho me perguntando há muito tempo, como o adquiri. Não devia ser o contrário? A prática não leva à perfeição? No meu caso, há uma incógnita não isolada que está me incomodando. Tenho analisado o problema de vários ângulos e os mais agudos estão furando meus olhos... rs!

Qualquer um se sentiria intimidado ao falar sobre saúde para uma turma de médicos, ou com um clínico especialista no assunto avaliando-o. Eu creio que está aí meu problema... Mas não posso confrontá-lo; Preciso do clínico presente na apresentação. Mesmo que ele vá me avaliar criticamente na frente dos outros estudantes de medicina... Para servir de exemplo. "Vejam onde ela errou e nunca comentam essa burrice!" ele dirá sempre. E eu, de cabeça baixa, terei que acenar e agradecer a crítica construtiva - ou destrutiva? - pois, segundo ele, é para meu próprio crescimento.

Até agora, só serviu para que minha confiança em mim mesma ficasse abalada pelas duras críticas (apesar de verdadeiras). A gagueira é pelo nervosismo de dizer algo errado, oras!!! Esqueci o que ia falar porque imaginei o que o 'especialista' escreveu em sua prancheta sobre minha apresentação e me distrai. Perdi o foco. Não porque não sei falar em público.

Mesmo assim... Estou penalisada. Ao invés de ser obrigada a treinar para não cometer os mesmos erros, fui condenada a ficar de boca calada e deixar outras pessoas falarem à sala de estudantes, sobre a saúde que eu 'ignoro'... Porque alguns 'especialistas' acreditam que é melhor jogar a poeira para baixo do tapete e mostrar a sala limpa que lidar com o foco do problema (Sarcasmo nível máximo: Perigo!).

Mas essa desconfiança sobre minha competência vai ter um preço muito alto aos desconfiados.
O meu já foi pago. Agora eu quero ver o circo pegar fogo!!!